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Jorge Humberto

Portugal

Jorge Humberto nace en una aldea Portuguesa de los alrededores de Lisboa, de nombre Santa-Iria-de-Azóia, hijo único, pronto mostró  sensibilidad  para las artes, y un depurado sentido estético. Completó sus estudios secundarios, yendo después a trabajar en una pequeña agencia automotriz .

 

Jorge Humberto nasceu numa aldeia Portuguesa dos arredores de Lisboa, de nome Santa-Iria-de-Azóia, filho único, cedo mostrou a sua sensibilidade para as artes, e apurado sentido estético. Nos estudos completou o 6º ano de escolaridade, indo depois trabalhar para uma pequena oficina de automóveis, no aprendizado de pintor-auto. A poesia surgiu num processo natural da sua evolução enquanto homem, e a meio a agruras e novos caminhos apresentados, foi sempre esta a sua forma de expressão por eleição. Auto didacta e perfeccionista (um mal comum a todos os artistas), desenvolveu e criou de raiz 8 livros de poesia, acumulando ainda mais algumas centenas de folhas com textos seus, que esperam inertes num fundo de gaveta a tão desejada e esperada edição, isto num país onde apostar na cultura, é quase que crime de lesa pátria.

POEMAS

QUE CANTEM OS POETAS

 

 

 

Que cantem os poetas,

Que digam os loucos,

O que disserem,

Palavra rude ou bandeira,

Esgar ou fonema,

Que cantem,

Não mais calem,

Pois quando a fome é plena

E a desgraça um teorema,

Toda a fonética é pouca,

Para se dizer da voz a boca

Da retorta que há num tema.

 

Quando o poeta canta

E traz a voz ao homem,

Ou é sorte ou a planta,

Dos versos quando morrem.

 

Por isso, que cantem os poetas,

Ou digam os loucos,

O que disserem,

Que não há grito, que cale a fome,

Nem palavra, por nosso nome,

Numa criança,

Quando morre.

 

 

Jorge Humberto

(24/02/2004)

 

EIS O TEU DIA

 

 

 

No dia em que, ao teu despertar,

Venha um sol, de novo amanhecido,

Não te convenças que é por ti,

Que ele te é devido,

Como não duvides de sua existência,

E assim no raiar de outro brilho,

Despe-te da tua incomoda aparência,

Olha-te ao espelho e sorri.

 

No que julgares para os teus demais,

Não mostres enfado, nem exageres de teu,

Que o que por ti for mostrado,

Ao outro esquecerá jamais,

Que é dele o que foi teu

E em ti permaneceu.

 

Assim como, se, chegando a ti,

Alguém houver que diga que sim,

Saibas tu, da mesma forma, dizer que não,

Com a virtude e o fervor com que te mostraram a ti,

O que agora em contraposição,

Dizes-lhe tu, de tua disposição.

 

É que quer à mentira, quer à outra,

Húmus da palavra,

Por tua verdade e teu nome,  

A ambas vem igual prumo na ponta,

Assim tu em cada safra,

Não abdiques nunca de uma, em favor da outra,

Como de saber-lhes das duas a fome.

 

 

Jorge Humberto

(07/01/2004)

 

A DANÇA DAS ANDORINHAS

 

 

 

De mil sinfonias e acordes

Distintos,

São as tardes de Primavera,

Conheço-lhes as asas,

Como as pétalas em seu fechar,

Pois, eis que é vinda a noite,

Eis que são as flores a descansar.

 

E já o azul se inebria de cinzas,

E os gatos são estas sombras,

Como restos diurnos a procurar,

O olho altivo dos candeeiros.

 

Mas, ó pena minha,

No ir da tarde, que se fez noite,

Como se fora nuances,

De outras tantas corzinhas,

É que me fica a tristeza destes bueiros,

Pelo súbito calar das andorinhas.

 

 

Jorge Humberto

(25/08/2003)

 

 

 

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